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A HISTÓRIA DO PAPEL
por Paulo Roberto Ramos

Durante sua história, a humanidade revelou-se capaz de criar mundos fantásticos. Que outra denominação poderia receber Hamlet de Shakespeare, A paixão segundo G.H. de Clarice Lispector ou Grito silencioso, de Kenzaburo Oe?
Estes universos, construídos em épocas diferentes pela imaginação fértil de homens e mulheres, até hoje fascinam as pessoas em todos os cantos do mundo. E devemos isso a um elemento muito conhecido chamado Papel. Este texto é uma breve tentativa de narrar sua história.

A pré-história do papel

Vale do rio Nilo, antigo Egito, aproximadamente no ano 3000 a.C. Nesta região fértil do norte da África florescia uma planta chamada Cyperous Papyrus. Os egípcios cortavam-na em pequenas tiras e misturavam às águas do Nilo. O resultado final era uma pasta espessa, posteriormente cortada em forma de finas folhas e postas ao sol para secar e que recebiam o nome de papiro.
Como estas folhas eram leves e fáceis de transportar, os egípcios, seguidos pelos gregos e romanos, utilizaram-nas como meio para armazenar seus saberes artísticos, espirituais e científicos através da escrita.
Processo similar de fabricação do papiro foi encontrando na América Central e nas Ilhas do Pacífico, no século II a.C.

T’sai Lun e o nascimento do papel

O papel é uma invenção chinesa, assim como o macarrão e a pólvora. Em 105 d.C. T’sai Lun, um eunuco do imperador Ho-Ti, refinou o processo de maceramento das fibras de plantas até cada filamento estar completamente separado.
As fibras eram colocadas em um grande recipiente com água onde, depois de algum tempo, uma tela de seda era mergulhada para “pescar” as fibras suspensas. Após secar, a fina camada de fibras entrelaçadas sobre a tela se transformava naquilo que conhecemos hoje como papel.

O papel ganha o mundo

Após chegar ao Japão em 610 d.C. o papel entra no mundo islâmico em 751 d.C. de forma curiosa. Durante a guerra contra a China da dinastia Tang, guerreiros árabes capturaram em uma batalha uma caravana chinesa. Entre os prisioneiros haviam vários fabricantes de papel que foram levados secretamente para a cidade de Samarkande, que em pouco tempo se tornaria um grande centro produtor de papel.
Depois de se espalhar em cidades como Bagdá, Damasco e Cairo, a tecnologia da fabricação do papel chega à Europa do século XII, quando os mouros do norte da África invadem Portugal e Espanha e estabelecem contato comercial com os italianos que, por sua vez, se encarregarão de disseminar o novo meio de armazenagem do conhecimento pelo continente europeu.
Durante este período o papel era fabricado com cascas de amoreira, pedaços de bambu, roupas usadas, entre outras coisas. Tudo isto era misturado com água e cal para formar a pasta de onde saiam as folhas finas do papel.
Entretanto, no século XII o pergaminho de pele de animal era utilizado pelos europeus como meio de escrita. Este método, além de cruel, era extremamente caro: estima-se que cerca de 300 pobres ovelhas eram necessárias para se fabricar um único exemplar da bíblia.
Pelo fato de rasgar com facilidade e de ser mais fino o papel não substituiu de imediato o pergaminho. Devido a sua fragilidade ele era utilizado somente em documentos feitos para não durar, tais como cartas mensageiras, rascunhos ou minutas de textos que deveriam ser copiadas definitivamente para os pergaminhos de pele animal.
O papel conquistou definitivamente a Europa a partir de 1456, quando Joahnns Guttemberg desenvolveu os tipos móveis independentes e imprimiu em papel sua famosa bíblia.

A produção em massa

No século XVIII o papel passa a apresentar a qualidade que conhecemos hoje, graças ao emprego da madeira em sua fabricação, técnica que seria aperfeiçoada no século seguinte com a mecanização de sua produção. Com isso, passa a ser produzido em larga escala, barateando seu custo e tornando-o acessível a grande parte da população européia.
No Brasil, o papel é introduzido através dos esforços de D. João VI. Em 1848 é inaugurada na Bahia a primeira indústria nacional, utilizando a fibra da bananeira como matéria-prima.

O século XXI e a reciclagem do papel

Parafraseando o poeta, o começo do século XXI verá o perigoso esgotamento das reservas naturais do planeta. E como a matéria-prima do papel é a madeira, a reciclagem passa a ser um conceito fundamental.
Reciclar, no caso em questão, significa utilizar o papel que é jogado no lixo na fabricação de novos papéis. A produção de uma tonelada de papel virgem necessita de 15 árvores adultas e cerca de 100.000 litros de água. Utilizando-se papel reciclado, nenhuma árvore é cortada e utilizam-se somente 2.000 litros de água.